Deficiência Auditiva Infantil
A

amigdalite em criança

é a inflamação das tonsilas palatinas, causada majoritariamente por vírus (cerca de 70% dos casos), mas com riscos importantes nas infecções bacterianas, como a Febre Reumática. O diagnóstico preciso diferencia a necessidade de antibióticos ou apenas sintomáticos. A cirurgia é indicada em casos específicos, como infecções de repetição (Critérios de Paradise) ou apneia do sono.


Em meus consultórios em São Paulo, recebo pais exaustos após noites em claro com filhos febris. A dor de garganta é uma das queixas mais comuns na pediatria e a ansiedade é compreensível. No Brasil, estima-se que ocorram cerca de 10 milhões de casos de faringoamigdalites anualmente. Ou seja, crises de amigdalite em criança são relativamente comuns. Mas os pais devem ficar atentos pois nem toda dor de garganta é

amigdalite infantil

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O que são as Amígdalas e por que inflamam? As amígdalas (tecnicamente chamadas de tonsilas palatinas) não estão lá por acaso. Elas são a primeira linha de defesa imunológica do seu filho. Localizadas na entrada da garganta, elas funcionam como “sentinelas” que capturam vírus e bactérias que entram pela boca ou nariz, produzindo anticorpos para combatê-los.

A inflamação – a amigdalite em criança – é, na verdade, um sinal de que essa batalha está acontecendo. O problema surge quando as próprias amígdalas se tornam o foco da infecção ou quando perdem a capacidade de defesa, tornando-se obstrutivas.


Anatomia da infecção:
– Amígdalas Palatinas: As que vemos no fundo da garganta.
– Adenoide (Amígdala Faríngea): Fica atrás do nariz e muitas vezes inflama junto (adenotonsilite).
– Amígdala Lingual: Na base da língua.

Viral ou Bacteriana: o grande dilema Sempre digo que distinguir um quadro de amigdalite infantil viral de um bacteriano é importante, pois nem todo o tratamento é com antibiótico. Mas é muito difícil diferenciar as amigdalites virais das bacterianas somente com base nos sintomas.

O tratamento muda radicalmente dependendo do agente causador. Estudos mostram que a maioria das amigdalites (cerca de 70% a 80%) é viral, especialmente em crianças menores de 3 anos, onde a causa bacteriana é raríssima.

No entanto, a bactéria Streptococcus pyogenes é o grande vilão que precisamos vigiar, com pico de incidência entre 5 e 15 anos.

Tabela Comparativa: Viral vs. Bacteriana

Para facilitar sua identificação (mas nunca substituir o diagnóstico médico), preparei esta tabela baseada nas diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria:

Característica Amigdalite Viral (Mais Comum) Amigdalite Bacteriana (Requer Antibiótico)
Idade Comum em bebês e pré-escolares (< 3 anos) Rara antes dos 3 anos; pico entre 5-15 anos
Início Gradual Súbito e intenso
Febre Variável (pode ser baixa) Geralmente alta (> 38°C) e persistente
Dor de Garganta Moderada Intensa
Sintomas Associados Tosse, coriza, rouquidão, conjuntivite Ausência de tosse; dor de cabeça, dor abdominal, vômitos
Aparência da Garganta Vermelha, pouco pus Muito vermelha, pontos de pus (exsudato), petéquias (pontinhos vermelhos) no céu da boca
Gânglios (Ínguas) Pouco aumentados Dolorosos e aumentados no pescoço


Se seu filho está com dor de garganta mas também tem nariz escorrendo e tosse, a chance de ser viral é altíssima. A amigdalite bacteriana estreptocócica não costuma causar sintomas gripais como coriza.

Nos casos de amigdalites de repetição, fatores como respiração pela boca, refluxo gastro-esofágico, dentre outros também são estudados.

Diagnóstico: Além do “Olhômetro” Muitos pais se frustram quando não prescrevo antibiótico imediatamente. Mas a medicina baseada em evidências nos pede cautela. O exame visual tem limitações. O pus, por exemplo, pode aparecer em infecções virais como a Mononucleose, não sendo exclusivo de bactérias.

Para confirmar o diagnóstico e evitar o uso desnecessário de antibióticos (que cria superbactérias), utilizo a abordagem:

1. Escore Clínico: Avalio a idade, presença de febre, ausência de tosse e inchaço dos gânglios.
2. Cultura de Orofaringe: É o padrão-ouro. Se o teste rápido for negativo mas a suspeita clínica for alta, a cultura confirma se há crescimento da bactéria (leva 24 a 48 horas). Em alguns laboratórios mais renomados, guarda-se o material e é possível pedir a cultura do Swab.

Diferenças entre Amigdalite e Faringite em crianças Toda amigdalite é um tipo de faringite, mas nem sempre a faringite vai cursar com amigdalite.

As amígdalas estão localizadas na região anatômica que chamamos de faringe. As amígdalas fazem parte da faringe. Sempre que seu filho tiver uma amigdalite, significa que está com uma faringite. O nome técnico é faringotonsilite mas, em alguns casos, seu filho pode ter uma infecção da faringe sem ter uma amigdalite clássica.

E como diferenciamos? Examinando. Na amigdalite temos um problema pela amígdala ficar vermelha e aumentar de tamanho, pode ou não ter pus. Antigamente tínhamos muito essa ideia de tem pus é bacteriana. Mas temos doenças virais que cursam com uma “melequinha” branca. O que chamamos de exsudato nas amígdalas, que pode ser um exsudato viral.


Sempre que temos um quadro de amigdalite ou mesmo faringite em crianças, temos um exsudato. Mesmo que tenhamos outros sinais, como umas pontinhas vermelhas, chamada petéquia no palato, no qual são umas pintinhas como se fossem um sarampo no céu da boca, ali perto da úvula, são indicativos, por exemplo, de que pode ser uma infecção bacteriana.

Hoje, o protocolo, é realizar o teste rápido de Streptococcus para diferenciarmos quais crianças precisam do antibiótico e quais crianças não vão ter nenhum benefício com o tratamento antimicrobiano.

As duas condições podem dar febre, dor de garganta e a criança pode ter algum grau de desidratação. Então é sempre importante que quando a criança está doente, ser orientada a se hidratar. Veja na imagem abaixo as condições de uma criança acometida por uma amigdalite ou faringite.

Amigdalite Infantil

A criança que está doente, ela precisa de hidratação como primeira necessidade. Ela precisa comer? Precisa. Mas às vezes vai ser difícil, né? Temos que focar mais na hidratação, porque da desidratação podem vir problemas piores. Vamos focar na hidratação e depois em uma alimentação mais tranquila, independente de ser faringite, amigdalite viral ou bacteriana.

Tratamentos Os tratamentos da amigdalite em criança varia, como já expliquei acima. Vou tentar resumir os principais.

Tratamento da Amigdalite Viral

Como

especialista amigdalite criança

, afirmo, neste caso o antibiótico não faz efeito nenhum. O foco é conforto:
– Analgesia e Antitérmicos: Dipirona, paracetamol ou ibuprofeno para dor e febre.
– Hidratação Rigorosa: A dor ao engolir faz a criança recusar líquidos, o que piora o quadro. Ofereça líquidos frescos ou gelados.
– Lavagem Nasal: Essencial se houver coriza associada.

Tratamento da Amigdalite Bacteriana

Se confirmada a bactéria Streptococcus pyogenes, o antibiótico é obrigatório. É comum a criança melhorar no 3º dia e os pais suspenderem o remédio. Isso é um erro grave. O ciclo de 10 dias é necessário não apenas para curar a dor, mas para erradicar a bactéria e prevenir a Febre Reumática. Interromper antes seleciona bactérias resistentes e mantém o risco da doença cardíaca.

Amigdalectomia

Antigamente, operava-se “por qualquer dor de garganta”. Hoje, seguimos critérios rígidos da Academia Americana e da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia (ABORL). A cirurgia não é isenta de riscos e as amígdalas têm função de defesa, por isso só removemos quando o prejuízo supera o benefício.

A cirurgia é considerada se a criança apresentar 6 infecções documentadas no último ano. Episódios leves não contam.

Importante: Episódios virais leves não contam. Precisamos de documentação médica (teste positivo ou quadro clínico clássico).

Inclusive, tenho uma seção aqui no site exclusiva sobre Amigdalectomia Intracapsular.

Como especialista amigdalite criança digo que é fundamental ter cautela no momento de indicar ou realizar uma cirurgia de amigdalite infantil. Isso porque os sintomas de amigdalite e faringite são muito semelhantes e, por isso, somente uma avaliação detalhada pode oferecer um diagnóstico preciso.

Complicações: Por que levo a sério? A amigdalite não tratada ou mal curada pode evoluir para quadros graves.

Abscesso Periamigdaliano: É o acúmulo de pus ao redor da amígdala. A criança não consegue abrir a boca, a voz fica abafada e a dor é insuportável. É uma emergência que muitas vezes exige drenagem cirúrgica e internação.

Febre Reumática: Esta é a complicação que mais tememos. É uma reação autoimune onde os anticorpos criados para atacar a bactéria da garganta acabam atacando as articulações, o cérebro e as válvulas do coração da criança.
– Dados do Brasil: A Febre Reumática é responsável por 40% das cirurgias cardíacas no país. – Prevenção: A única forma eficaz de prevenir é o tratamento correto da amigdalite estreptocócica na fase aguda (dentro de 9 dias do início dos sintomas).

PANDAS: Sigla para Pediatric Autoimmune Neuropsychiatric Disorders Associated with Streptococcal Infections. É uma condição rara onde a infecção estreptocócica desencadeia sintomas neuropsiquiátricos súbitos, como TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) ou tiques, devido a uma reação autoimune no cérebro.

Dúvidas que mais respondo no consultório 1. Como é o teste que colhe material na garganta?

O teste geralmente é feito em laboratório, e consiste na raspagem da garganta com um material que chamamos de Swab. O Swab é, basicamente, um cotonete bem comprido, com material específico na ponta para coletar a secreção da faringe e das amígdalas e enviar para a análise. Esse teste tem um resultado rápido e confiável para diferenciar uma faringoamigdalite bacteriana de um quadro viral.

2. Quando é considerada uma amigdalite de repetição?

Seis episódios de amigdalite no período de um ano, ou cinco por ano por 2 anos consecutivos ou quatro por ano por 3 anos consecutivos.

Um caso de amigdalite em criança deve ser avaliado pelo otorrinolaringologista, uma vez que existe a possibilidade de que o(a) paciente beneficie de um tratamento cirúrgico definitivo.

3. E a retirada das amígdalas ainda acontece?

A cirurgia de retirada das amígdalas pode acontecer quando houver amigdalite recorrente e sem outros fatores associados. Nesse caso, estuda-se a possibilidade da remoção (amigdalectomia).


A amigdalite faz parte da infância, mas não deve ser negligenciada. Como otorrinolaringologista especialista amigdalite criança, meu conselho é: tenha um pediatra ou otorrino de confiança. Evite a automedicação na farmácia. O diagnóstico correto protege o coração do seu filho e garante que os antibióticos continuem funcionando quando realmente precisarmos deles.

Atendo nos bairros de Perdizes e Higienópolis, em São Paulo. Sou membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e da Academia Brasileira de Otorrinolaringologia Pediátrica.
Milene Bissoli
OTORRINO PARTICULAR
Dra. Milene
Bissoli
 
Otorrino particular em São Paulo com atendimento personalizado, em moderna clínica no bairro de Perdizes e Higienópolis.
  • Graduação, Especialização e Doutorado em Otorrinolaringologia pela USP
  • Membro da Academia Brasileira de Otorrino Pediátrica
  • Pesquisadora do “Centre for Stem Cell Biology” da Universidade de Sheffield, Reino Unido
  • Estágio no "Eye and Ear Hospital", Boston, EUA
  • Albert Einstein
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Tatiana Assunção
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05/09/2023
Dra Milene é uma profissional humana, competente e atenciosa; explicou as possibilidades de tratamento de forma clara e tranquila. Ela é a otorrino de toda a minha família. Além disso, a clínica é confortável e as pessoas da recepção são muito educadas. Recomendo!
Isabel cristina souza
Isabel cristina souza
31/08/2023
Ótima experiência a dra. Milene é atenciosa, competente e ética!
Virginia Camargo
Virginia Camargo
21/08/2023
Excelente clínica, ambiente muito agradável e confortante, as recepcionistas são ótimas, muito gentis e prestativas. Dra. Milene tem me dado um suporte maravilhoso, médica muito profissional e humanizada além de ser clara e objetiva em todas as informações e procedimentos prestados. Senti muita segurança e confiança em meu tratamento que ainda segue em continuidade!
Paulo Tostes
Paulo Tostes
10/08/2023
Excelente
Nani Negrelli
Nani Negrelli
07/08/2023
Atendimento excelente e diferenciado! Raridade nos dias de hoje, uma médica que sabe ouvir as queixas do paciente e da família!
Melissa Toro Alvarez
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18/07/2023
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Edu Yamamoto
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16/06/2023
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